Adestramento

Declaração de Isabell Werth sobre a sua suspensão por doping

Publicado por Ernani Campos em 06/25/2009

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“Fui informadada ontem pela Federação Equestre Alemã (FN) que durante o controle anti-doping no dia 30 de Maio no CDI de Wiesbaden, foram encontrados vestígios da substância Fluphenazina numa amostra do meu cavalo “Whisper”.
Sinto então a necessidade de informar ao público pessoalmente acerca desta questão, em complemento ao press release da Federação Alemã de hoje (25.06.09).
“Whisper” sofre de uma disfunção chamada “Shivering Syndrome” (Síndrome de tremores) que afeta o sistema nervoso central e causa desequilíbrios caso o cavalo tenha que ficar sobre três membros por um período mais longo, por exemplo quando está sendo limpo ou ferrado. Por se sentir inseguro, o cavalo começa a tremer e a dar saltos descontrolados devido ao medo de perder o equilíbrio. Esta doença não é dolorosa e não afeta a capacidade competitiva do cavalo, mas acarreta um risco para as pessoa que trabalham com o ele (ferrador, tratador e cavaleiro).
Por isso perguntei ao meu veterinário Dr. Hans Stihl (SUI) se e como poderia ser tratada esta síndrome. O Dr. Stihl explicou-me que até agora não existe uma cura para esta doença, mas que vários cavalos ao seu cuidado mostraram reações favoráveis a um medicamento conhecido como Modecate. Este medicamento contém Fluphenazina como substância ativa.
Whisper foi tratado com este medicamento,uma vez, no dia 16 de Maio de 2009, para testar como ele responderia ao medicamento. Assim foi feito, as tremuras reduziram, e havia menos movimentos incontroláveis quando levantávamos uma das suas pernas.
Ao ser indagado quanto tempo durava o medicamento, o Dr Stihl disse-me que de acordo com a sua experiência, seis dias seriam suficientes para o desaparecimento dos vestígios (no caso de antidoping), mas ninguém poderia estar completamente seguro. Por isso, como cautela, decidimos deixar que “Whisper” competisse somente no dia 30 de Maio de 2009 em Wiesbaden. Tomei esta decisão com base nos meus conhecimentos. Apesar disto, o laboratório de análises da FEI, encontrou vestígios da substância referida acima. Uma razão poderá ser que o laboratório esteja utilizando novos métodos de análise.
A FEI suspendeu-me imediatamente como mandam as regras neste caso. O fato de que somente foram encontrados vestígios ineficazes do medicamento, não importa perante estas regras. Lamento profundamente este incidente, mas eu estou convencida de ter agido corretamente.
Gostaria de ver estas regras revistas o mais depressa possível, de maneira que permita o tratamento razoável de cavalos de desporto sem o risco de ser suspenso. O tempo do desaparecimento do medicamento do organismo muda a cada novo método de análise e torna-se literalmente”incalculável”.
Estou ciente de ter dado razões para que duvidassem da minha honestidade. Portanto peço aqui desculpa a todos que me apoiam e ao desporto equestre.”

Ainda sobre o caso Madeleine Winter-Schulze grande proprietária de cavalos na Alemanha, onde patrocina Ludger Beerbaum além  de Isabell Werth disse :”É assustador, mas não tenho mágoas dela já que ela não tem culpa. Alguns dias antes do concurso de Weisbaden foi feito um tratamento em “Whisper” e o veterinário deu sinal verde para a participação no concurso”.

Isabell Werth de 39 anos foi ganhadora das medalhas de ouro por equipe nas Olimpíadas de 1992, 1996, 2000 e 2008, ganhou a medalha de ouro individual em 1996, tem três medalhas olimpicas de prata, foi várias vezes campeã Alemã,individual e por equipes e também campeã européia por várias vezes.

 

 “Só há uma Equitação: a boa”
2009-05-20   08h45

Mestre Miguel Tavora

Mestre Miguel Tavora

 

 

Miguel Távora esteve em Portugal para um estágio e uma conferência na Sociedade Hípica Portuguesa (SHP), em Lisboa, que contou com o apoio da Revista EQUITAÇÃO.

Considerado um dos melhores alunos do Mestre Nuno Oliveira, por sua sugestão, partiu em 1982 para Austrália, país onde está até hoje e onde trabalha como instrutor Especializado em Dressage. Voltar a Portugal, apenas para fins lectivos e para visitar amigos.

A EQUITAÇÃO esteve à conversa com ele.

 

EQUITAÇÃO Como correu o estágio na SHP?
MIGUEL TÁVORA – Correu bem. Tivemos cerca de 12 cavaleiros por jornada. Só dois dias é sempre curto, mas parece-me que consegui transmitir as minhas ideias e a forma como os presentes deviam trabalhar. Todos os participantes estão no bom caminho e não foi difícil ajudar.

Traziam muitas dúvidas?
Sim, mas vinham muito abertos e ouvir os meus ensinamentos.

Outro dos motivos da sua presença em Portugal foi a conferência “A Equitação Clássica e a Competição”. Para quem não esteve presente, em que traços resume a sua opinião sobre este tema?
Ultimamente têm havido grandes discussões entre a Equitação Clássica e a Equitação de Competição, nomeadamente, se se contradizem, se a Equitação de Competição está a destruir a Clássica, ou vice-versa. A minha ideia é que só há uma Equitação, que é a Equitação boa. Por Equitação boa, entendo a Equitação Clássica, e que esta, deve ser aplicada com mais precisão à área competitiva. Temos que educar juízes, cavaleiros, treinadores, para que todos a pratiquem da mesma forma e partilhem objectivos.

Está-se a ir no bom caminho?
Penso que sim, mas vai demorar o seu tempo.

Gosta mais de realizar a parte prática dos estágios ou as conferências?
Gosto muito mais da prática! Estou bastante mais à vontade no picadeiro a ensinar, a montar cavalos, do que em momentos como este, à frentes destas pessoas todas!
A equitação é uma arte, uma ciência e um desporto. É mais simples demonstrar algo com um cavalo, ao momento, do que só por palavras e em teoria.

Fale-nos um pouco sobre a sua ligação ao Mestre Nuno Oliveira, com quem privou na sua vida.
O Mestre Nuno Oliveira foi quem me pôs a cavalo pela primeira vez, me deu as primeiras lições, me ensinou os princípios básicos da Equitação e um ideal de Ensino.
Fui evoluindo, até porque sempre estive mais direccionado para a Equitação de Competição. O Mestre nunca me contrariou ou ensinou nada que fosse contra essa área, antes pelo contrário. Aplicando os princípios correctos, é possível competir bem. Ajudou-me imenso.

Há muito tempo na Austrália. Como surgiu essa oportunidade?
Já estou há 26 anos. Saí do Exército e nessa altura era difícil fazer-se a “vida de cavalo” em Portugal. Pedi ao Mestre Nuno para me aconselhar e ele sugeriu-me a Austrália e foi assim que decidi partir.

Não pensa voltar a Portugal?
Agora não. Pretendo voltar sim, para estágios e visitas. É sempre agradável voltar à casa mãe, mas a minha vida está organizada na Austrália. A minha família, propriedade, clientes, estão todos lá.

A sua família tem seguido as suas passadas, na área de equitação?
A minha mulher também monta, é uma cavaleira de Ensino Avançado. É ela que toma conta da propriedade quando estou fora, o que é muito frequente, e só assim é possível, eu manter esta vida de cigano! (risos) Ando muito pela Austrália, vou quatro vezes por ano aos EUA, etc.

Tem acompanhado o panorama hípico português?
Sim. Graças especialmente ao Dr. Bruno Caseirão, com quem troco correspondência electrónica com frequência, estou ao corrente do que se tem passado no país, e, ao mesmo tempo, tive oportunidade de ver, agora durante o Estágio.
Temos em Portugal, cavaleiros com uma habilidade reconhecida como fantástica internacionalmente. Na minha opinião, agora deveríamos usar essa habilidade nas provas de Ensino, começar a desenvolver o Lusitano sob o ponto de vista da competição, com as qualidades necessárias para ser um cavalo competitivo. Não é algo que aconteça de um dia para o outro, mas com certeza, com o tempo, com lógica e método, vai acontecer.

Miguel Tavora na Soc. Hipica Portuguesa

Miguel Tavora na Soc. Hipica Portuguesa

 

 

Considera que futuramente, o Lusitano pode competir em Alta Competição ao lado de outras raças mais direccionadas para esta disciplina?
Competir sim, ganhar imediatamente não. Talvez no futuro. Agora temos que pensar que estamos atrasados dezenas de anos, não só na criação cavalar como na maneira de ensinar para o Ensino. Não podemos esperar milagres! Na criação, é sempre uma incerteza o que vai acontecer, o que se pode produzir. Só com a experiência se saberá.
Outro aspecto muito importante, é dar o nosso cavalo a conhecer aos juízes. Eles estão habituados a um padrão de animal, a um modelo de andamentos e de constituição morfológica diferente. Os juizes têm os olhos educados para julgar de uma determinada maneira. Para que as coisas mudem, temos que lhes mostrar o Lusitano, a fim de eles perceberem as diferenças, o que temos de bom, de mau. Só assim será possível.