Adestramento

Edward Gal: “Learning to Ride” é um processo extremamente individualista

Por Irmgard Peterek

O time holandês atualmente domina a cena internacional de adestramento. Seu sucesso não se baseia apenas no talento ou mero acaso, mas também nos resultados de uma promoção sistemática de jovens cavaleiros talentosos. Ha cerca de dez anos atrás, o “Rabobank Talent Plan” foi lançado e a partir de agora os cavaleiros de sucesso internacional como Laurens van Lieren, Marlies van Baalen e Lotje Schoots surgiram. Seu objetivo é descobrir e selecionar jovens talentos o mais cedo possível e promover ativamente a sua carreira na equitação. Envolvidos neste processo estão os cavaleiros de adestramento de destaque, por exemplo, Tineke Bartels, Anky van Grunsven ou Marlies van Baalen que treinam os jovens. O “Rabobank Talent Plan” está constantemente sendo revistos e os métodos de treinamento são avaliados e desenvolvidos.

Irmgard Peterek reuniu-se com o Campeão Europeu de Dressage  Edward Gal para uma entrevista sobre seus pontos de vista sobre o mundo equestre, métodos de ensino e o sistema holandês “Rabobank Talent Plan”.


Peterek:
Sr. Gal, quando rompeu com seus estudos acadêmicos de economia e decidiu tornar-se um cavaleiro profissional,  como os seus amigos e seus pais reagiram?

Gal: Bem, uma carreira de gestão é definitivamente uma resposta mais convencional para as expectativas da sociedade sobre como planejar melhor o seu futuro. Acima de qualquer dúvida montar a nível profissional envolve riscos.

Peterek: Você chegou ao topo agora. Que conselho você daria aos jovens que são confrontados com a decisão de se iniciar em uma carreira profissional de equitação. O que eles deveriam levar em consideração?

Gal: Em primeiro lugar eles devem realmente gostar de equitação. Mas devem também consultar o seu talento. Sem talento você não vai chegar longe na atualidade. Além da persistência; tenacidade e capacidade de competir também são importantes. Além disso, você deve estar preparado para aprender constantemente. E você deve também aprender a não desistir quando perde. A seleção do local onde treinar é de extrema importância também. Eu recomendo a procurar um onde os padrões sejam altos, mas ao mesmo tempo você se sinta em casa.

Peterek: E o dinheiro? Jovens cavaleiros talentosos  acabam muitas vezes na situação onde treinar e vender cavalos consome todo o seu tempo e energia. Desta forma eles têm que ganhar a vida e, portanto, ficam sem tempo nem dinheiro para se desenvolver ainda mais. E se tiverem a sorte de conseguir um cavalo talentoso, por vezes têm de vendê-lo prematuramente quando ainda é atraente no mercado. A conseqüência é que a carreira desses jovens talentos logo sofre uma paralisação.

Gal: Isso é verdade. Eu acho que os verdadeiros talentos jovens mais cedo ou mais tarde serão confrontados com a decisão: “Money” ou “Sports.” Esporte, claro, é de longe a opção o mais interessante, mas que envolve riscos bem mais elevados. Eu mesmo decidido a favor dos esportes. Isto quer dizer, eu não vendi cavalos que tinham  potencial para competir em Grand Prix, e desenvolvi o meu  talento junto com eles. Naquela época eu não era suficientemente conhecido para atrair patrocinadores. Então, o meu orçamento era realmente bastante baixo, mas ainda assim eu estava contente. Hoje em dia eu ainda tenho três antigos cavalos deste período que  me dão despesa, pois estão passando o resto de seus dias nas minhas cocheiras.

Mas admito, que encontrar um cavalo que se adapte cem por cento a um cavaleiro é pura sorte. E talvez isso só aconteça uma vez na vida de um cavaleiro de topo.

Peterek: Você ensina no momento? Quais os métodos que você usa?

Gal: No momento eu ponho mais ênfase na minha equitação e tenho apenas alguns alunos. Eu não gosto de trabalhar com os alunos pouco críticos. Se alguém segue a regra: “Tudo bem Sr. Gal” e faz tudo que eu digo, então este aluno não é muito interessante para mim. Eu gosto de alunos que me digam: “O que você recomenda não me faz sentir bem ou não serve para mim. Eu preciso de outra solução para o problema”. Aprender a montar é um processo extremamente individualista. Assim, não existe um método padrão, tamanho único.

Além disso, eu aprecio quando os alunos têm autocrítica. Aqueles que sempre colocam a culpa em alguém ou no cavalo não vão longe.

Se você levar a equitação a sério você deve aprender com treinadores diferentes durante sua carreira. Desta forma, você vai conhecer muitas abordagens e métodos diferentes.

Peterek: Nos últimos cinco anos os cavaleiros holandeses  tornaram-se muito fortes e isto não se aplica apenas para o segmento de topo. Qual é a função do  “Rabobank Talent Plan” dentro desse contexto? Até que ponto o programa é  responsável pelo “boom”  que equitação  tem experimentado nos últimos anos na Holanda?

Gal: O “Rabobank Talent Plan” é um grande projeto. É devido a este sistema que temos uma boa visão geral sobre os nossos jovens talentos aqui na Holanda. Isso nos permite selecioná-los cedo, oferecer um apoio adaptado a eles e utilizar os fundos de uma forma eficiente. Além disso, o “Rabobank Talent Plan” ajuda muito a aumentar a popularidade da equitação entre os jovens. Muitas crianças querem participar e, portanto, é um incentivo para um melhor desempenho. Além disso, o “Rabobank Talent Plan” apoia o desenvolvimento e a experimentação de novos métodos de formação. E jovens cavaleiros podem colocar seu talento à prova, antes de escolher uma carreira.

Peterek: O  “Rabobank Talent Plan” pode ser transferido para outros países?

Gal: Apenas de forma muito limitada. A Holanda é um país muito pequeno, com uma mentalidade específica.

Sr. Gal, muito obrigado pela entrevista.

Declaração de Isabell Werth sobre a sua suspensão por doping

Publicado por Ernani Campos em 06/25/2009

Isabell-Werth-e-Satch50

“Fui informadada ontem pela Federação Equestre Alemã (FN) que durante o controle anti-doping no dia 30 de Maio no CDI de Wiesbaden, foram encontrados vestígios da substância Fluphenazina numa amostra do meu cavalo “Whisper”.
Sinto então a necessidade de informar ao público pessoalmente acerca desta questão, em complemento ao press release da Federação Alemã de hoje (25.06.09).
“Whisper” sofre de uma disfunção chamada “Shivering Syndrome” (Síndrome de tremores) que afeta o sistema nervoso central e causa desequilíbrios caso o cavalo tenha que ficar sobre três membros por um período mais longo, por exemplo quando está sendo limpo ou ferrado. Por se sentir inseguro, o cavalo começa a tremer e a dar saltos descontrolados devido ao medo de perder o equilíbrio. Esta doença não é dolorosa e não afeta a capacidade competitiva do cavalo, mas acarreta um risco para as pessoa que trabalham com o ele (ferrador, tratador e cavaleiro).
Por isso perguntei ao meu veterinário Dr. Hans Stihl (SUI) se e como poderia ser tratada esta síndrome. O Dr. Stihl explicou-me que até agora não existe uma cura para esta doença, mas que vários cavalos ao seu cuidado mostraram reações favoráveis a um medicamento conhecido como Modecate. Este medicamento contém Fluphenazina como substância ativa.
Whisper foi tratado com este medicamento,uma vez, no dia 16 de Maio de 2009, para testar como ele responderia ao medicamento. Assim foi feito, as tremuras reduziram, e havia menos movimentos incontroláveis quando levantávamos uma das suas pernas.
Ao ser indagado quanto tempo durava o medicamento, o Dr Stihl disse-me que de acordo com a sua experiência, seis dias seriam suficientes para o desaparecimento dos vestígios (no caso de antidoping), mas ninguém poderia estar completamente seguro. Por isso, como cautela, decidimos deixar que “Whisper” competisse somente no dia 30 de Maio de 2009 em Wiesbaden. Tomei esta decisão com base nos meus conhecimentos. Apesar disto, o laboratório de análises da FEI, encontrou vestígios da substância referida acima. Uma razão poderá ser que o laboratório esteja utilizando novos métodos de análise.
A FEI suspendeu-me imediatamente como mandam as regras neste caso. O fato de que somente foram encontrados vestígios ineficazes do medicamento, não importa perante estas regras. Lamento profundamente este incidente, mas eu estou convencida de ter agido corretamente.
Gostaria de ver estas regras revistas o mais depressa possível, de maneira que permita o tratamento razoável de cavalos de desporto sem o risco de ser suspenso. O tempo do desaparecimento do medicamento do organismo muda a cada novo método de análise e torna-se literalmente”incalculável”.
Estou ciente de ter dado razões para que duvidassem da minha honestidade. Portanto peço aqui desculpa a todos que me apoiam e ao desporto equestre.”

Ainda sobre o caso Madeleine Winter-Schulze grande proprietária de cavalos na Alemanha, onde patrocina Ludger Beerbaum além  de Isabell Werth disse :”É assustador, mas não tenho mágoas dela já que ela não tem culpa. Alguns dias antes do concurso de Weisbaden foi feito um tratamento em “Whisper” e o veterinário deu sinal verde para a participação no concurso”.

Isabell Werth de 39 anos foi ganhadora das medalhas de ouro por equipe nas Olimpíadas de 1992, 1996, 2000 e 2008, ganhou a medalha de ouro individual em 1996, tem três medalhas olimpicas de prata, foi várias vezes campeã Alemã,individual e por equipes e também campeã européia por várias vezes.

 

 “Só há uma Equitação: a boa”
2009-05-20   08h45

Mestre Miguel Tavora

Mestre Miguel Tavora

Miguel Távora esteve em Portugal para um estágio e uma conferência na Sociedade Hípica Portuguesa (SHP), em Lisboa, que contou com o apoio da Revista EQUITAÇÃO.

Considerado um dos melhores alunos do Mestre Nuno Oliveira, por sua sugestão, partiu em 1982 para Austrália, país onde está até hoje e onde trabalha como instrutor Especializado em Dressage. Voltar a Portugal, apenas para fins lectivos e para visitar amigos.

A EQUITAÇÃO esteve à conversa com ele.

EQUITAÇÃO Como correu o estágio na SHP?
MIGUEL TÁVORA – Correu bem. Tivemos cerca de 12 cavaleiros por jornada. Só dois dias é sempre curto, mas parece-me que consegui transmitir as minhas ideias e a forma como os presentes deviam trabalhar. Todos os participantes estão no bom caminho e não foi difícil ajudar.

Traziam muitas dúvidas?
Sim, mas vinham muito abertos e ouvir os meus ensinamentos.

Outro dos motivos da sua presença em Portugal foi a conferência “A Equitação Clássica e a Competição”. Para quem não esteve presente, em que traços resume a sua opinião sobre este tema?
Ultimamente têm havido grandes discussões entre a Equitação Clássica e a Equitação de Competição, nomeadamente, se se contradizem, se a Equitação de Competição está a destruir a Clássica, ou vice-versa. A minha ideia é que só há uma Equitação, que é a Equitação boa. Por Equitação boa, entendo a Equitação Clássica, e que esta, deve ser aplicada com mais precisão à área competitiva. Temos que educar juízes, cavaleiros, treinadores, para que todos a pratiquem da mesma forma e partilhem objectivos.

Está-se a ir no bom caminho?
Penso que sim, mas vai demorar o seu tempo.

Gosta mais de realizar a parte prática dos estágios ou as conferências?
Gosto muito mais da prática! Estou bastante mais à vontade no picadeiro a ensinar, a montar cavalos, do que em momentos como este, à frentes destas pessoas todas!
A equitação é uma arte, uma ciência e um desporto. É mais simples demonstrar algo com um cavalo, ao momento, do que só por palavras e em teoria.

Fale-nos um pouco sobre a sua ligação ao Mestre Nuno Oliveira, com quem privou na sua vida.
O Mestre Nuno Oliveira foi quem me pôs a cavalo pela primeira vez, me deu as primeiras lições, me ensinou os princípios básicos da Equitação e um ideal de Ensino.
Fui evoluindo, até porque sempre estive mais direccionado para a Equitação de Competição. O Mestre nunca me contrariou ou ensinou nada que fosse contra essa área, antes pelo contrário. Aplicando os princípios correctos, é possível competir bem. Ajudou-me imenso.

Há muito tempo na Austrália. Como surgiu essa oportunidade?
Já estou há 26 anos. Saí do Exército e nessa altura era difícil fazer-se a “vida de cavalo” em Portugal. Pedi ao Mestre Nuno para me aconselhar e ele sugeriu-me a Austrália e foi assim que decidi partir.

Não pensa voltar a Portugal?
Agora não. Pretendo voltar sim, para estágios e visitas. É sempre agradável voltar à casa mãe, mas a minha vida está organizada na Austrália. A minha família, propriedade, clientes, estão todos lá.

A sua família tem seguido as suas passadas, na área de equitação?
A minha mulher também monta, é uma cavaleira de Ensino Avançado. É ela que toma conta da propriedade quando estou fora, o que é muito frequente, e só assim é possível, eu manter esta vida de cigano! (risos) Ando muito pela Austrália, vou quatro vezes por ano aos EUA, etc.

Tem acompanhado o panorama hípico português?
Sim. Graças especialmente ao Dr. Bruno Caseirão, com quem troco correspondência electrónica com frequência, estou ao corrente do que se tem passado no país, e, ao mesmo tempo, tive oportunidade de ver, agora durante o Estágio.
Temos em Portugal, cavaleiros com uma habilidade reconhecida como fantástica internacionalmente. Na minha opinião, agora deveríamos usar essa habilidade nas provas de Ensino, começar a desenvolver o Lusitano sob o ponto de vista da competição, com as qualidades necessárias para ser um cavalo competitivo. Não é algo que aconteça de um dia para o outro, mas com certeza, com o tempo, com lógica e método, vai acontecer.

Miguel Tavora na Soc. Hipica Portuguesa

Miguel Tavora na Soc. Hipica Portuguesa

 
 

 

Considera que futuramente, o Lusitano pode competir em Alta Competição ao lado de outras raças mais direccionadas para esta disciplina?
Competir sim, ganhar imediatamente não. Talvez no futuro. Agora temos que pensar que estamos atrasados dezenas de anos, não só na criação cavalar como na maneira de ensinar para o Ensino. Não podemos esperar milagres! Na criação, é sempre uma incerteza o que vai acontecer, o que se pode produzir. Só com a experiência se saberá.
Outro aspecto muito importante, é dar o nosso cavalo a conhecer aos juízes. Eles estão habituados a um padrão de animal, a um modelo de andamentos e de constituição morfológica diferente. Os juizes têm os olhos educados para julgar de uma determinada maneira. Para que as coisas mudem, temos que lhes mostrar o Lusitano, a fim de eles perceberem as diferenças, o que temos de bom, de mau. Só assim será possível.

 
 
 

 

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: